Neha Narkhede

5 Lições que Aprendi no Money20/20 EUA: Reconstruindo a Confiança para a Economia em Tempo Real

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A equipe da Oscilar teve uma semana e tanto em Las Vegas.

Do palco principal às conversas de corredor que revelaram o que podemos esperar da próxima década das finanças, o Money20/20 USA entregou exatamente o que este setor precisa agora: um debate honesto sobre IA, identidade, confiança e o que de fato é necessário para construir sistemas que funcionem na velocidade das máquinas.

Tive o privilégio de participar de dois painéis: um sobre fraudes com stablecoins e outro sobre deepfakes e identidade. Ambas as sessões estavam lotadas, com pessoas de pé. Ao lado de Greg Kidd (USBC), Liat Shetret (TRM Labs), Nik Milanović (This Week in Fintech), Naftali Harris (SentiLink), Zhi Zhou (eBay) e Alex Johnson (Fintech Takes), debatemos o que realmente é preciso para construir confiança na velocidade das máquinas: desde deter fraudes irreversíveis em redes de stablecoin até detectar identidades sintéticas que se tornam mais sofisticadas a cada hora.

Também tive a oportunidade de conversar com Jason Mikula, do Fintech Business Weekly, para a gravação de um podcast ao vivo. Na cabine de vidro do MoneyPot, com plateia ao vivo, discutimos como minha jornada, desde a criação do Apache Kafka até a fundação da Oscilar, segue uma única linha condutora: ajudar as organizações a tomarem decisões em tempo real com dados que nunca param de se mover.

E, para coroar tudo isso, comemoramos com a equipe da Oscilar a conquista do Banking Award em Identidade, AML e KYC. Além da nossa plataforma, esse reconhecimento valida que o setor está pronto para ir além de soluções pontuais e fragmentadas, avançando em direção a decisões de risco unificadas e baseadas em IA.

Entre sessões, conversas de corredor e jantares tarde da noite, cinco pontos fundamentais ficaram claros para mim:

1. A fraude está evoluindo mais rápido do que as defesas

A fraude hoje opera na velocidade das máquinas em todos os canais: aplicativos móveis, plataformas de stablecoins, redes P2P e transações com cartões. Os golpistas usam IA para criar identidades sintéticas em escala, testar credenciais roubadas em milhares de contas simultaneamente e explorar os milissegundos entre a autorização e a liquidação.

As defesas tradicionais foram criadas para outra época: processamento em lote que detecta atividades suspeitas horas ou dias após o ocorrido, detecção baseada em regras que tem dificuldades com novos padrões de ataque e filas de análise manual que não conseguem acompanhar redes de fraude em tempo real.

No universo das stablecoins, esse problema de velocidade se torna vital. As fintechs funcionam como pontes de entrada entre o blockchain e o sistema bancário tradicional, herdando a velocidade do blockchain sem a possibilidade de reversão após a liquidação dos tokens. Mas o mesmo desafio existe em toda parte: carteiras digitais liquidando pagamentos ponto a ponto em segundos, bancos digitais cadastrando clientes em minutos e neobancos processando transações 24 horas por dia, 7 dias por semana, além das fronteiras.

A própria infraestrutura exige uma abordagem diferente: sistemas de risco adaptáveis e em tempo real que pensem na velocidade das transações, e não no ritmo dos ciclos de análise humana.

2. A identidade é a nova fronteira da confiança

Os desafios de detecção de fraudes com stablecoins remontam a uma peça que está faltando: uma identidade digital persistente e verificável que acompanhe os usuários em diferentes plataformas.

O futuro da confiança financeira dependerá de atestações que preservam a privacidade: provas criptográficas que permitem às instituições verificar a legitimidade sem expor os dados privados de origem. Pense nisso como uma reputação comprovável: você consegue demonstrar que é confiável sem precisar revelar seu histórico de transações, CPF ou padrões de comportamento.

Na próxima era das finanças, a confiança será comprovável, portátil e preservará a privacidade. Isso não é um conceito teórico, é exatamente para onde o setor caminha nos próximos anos.

3. Os verdadeiros avanços vêm da unificação

Cada conversa no Money20/20 voltava para esta verdade: nenhum sinal isolado é capaz de deter a fraude moderna.

A identificação digital de dispositivos capta algumas ameaças. A análise comportamental capta outras. O monitoramento de transações, a verificação de identidade e a análise de rede resolvem, cada um, uma parte do problema. No entanto, as redes de fraude exploram justamente as brechas entre esses sistemas.

As empresas que estão vencendo hoje unificam a inteligência de identidade, dispositivo, comportamento, transação e rede em uma única camada de inteligência conectada. Quando essa inteligência opera em tempo real, você conquista a confiança na velocidade das máquinas: a capacidade de decidir em milissegundos o que é seguro, o que é de risco e o que exige critérios humanos.

Na Oscilar, esta tem sido nossa tese desde o primeiro dia: a decisão de risco exige uma plataforma unificada, e não uma coleção de ferramentas isoladas e remendadas com processos manuais.

4. O risco não é um problema de fintech, é um problema de dados e IA

Cada alerta de fraude. Cada aprovação de crédito. Cada verificação de AML. No fundo, cada uma dessas ações é uma decisão sobre dados em tempo real diante de incertezas.

O que observei nas instituições financeiras foi a fragmentação: ferramentas isoladas resolvendo pequenas partes do problema, criando pontos cegos a cada transferência de tarefa. As equipes gastam mais tempo lidando com a infraestrutura do que combatendo a fraude de fato.

A Oscilar nasceu de uma premissa simples: se o Kafka/Confluent construiu as estradas para a movimentação de dados, a decisão de risco é o controle de tráfego inteligente; analisando em milissegundos o que é confiável, o que é perigoso e o que exige escalonamento.

É por isso que desenvolvemos do zero uma plataforma focada em tempo real e nativa em IA, projetada especificamente para a velocidade e a complexidade do risco financeiro moderno.

5. A IA que funciona é baseada em explicabilidade, governança e velocidade

Não falta agitação em torno da IA, mas na tomada de decisão de risco, o valor é mensurável e imediato:

  • Reconhecimento de padrões em bilhões de sinais para detectar redes de fraude que os humanos não veem: correlações sutis entre dispositivos, comportamentos e padrões de transação que revelam ataques organizados.

  • Copilotos de IA que permitem aos analistas escrever, interpretar e explicar regras em linguagem natural, transformando uma conversa (por exemplo, "sinalizar transações acima de R$ 5.000 em contas novas criadas nas últimas 48 horas com divergência no endereço de cobrança") em lógica executável sem precisar programar.

  • Eficiência operacional que reduz os falsos positivos em até 90%, para que as pessoas possam focar nos 10% dos casos que realmente exigem o julgamento humano.

O futuro da confiança não será construído substituindo as pessoas pela IA, mas sim capacitando-as com copilotos de IA rápidos, explicáveis e sob a supervisão humana.

Uma semana de conexões e ideias compartilhadas

Além do palco principal, organizamos eventos que reuniram as mentes que estão de fato construindo o futuro da infraestrutura financeira:

  • Golf Classic com iDENTIFY & FS Vector no Wildhorse Golf Club

  • Jantar de Executivos Bancários no estiatorio Milos

  • Almoço de Executivos de Fintech com iDENTIFY, FS Vector e o American Fintech Council

  • Roadshow para a Stablecon: Stablecoin Day

  • Oscilar x TWIF Fraud & Risk Happy Hour no HaSalon

  • Data & Darts Happy Hour no Flight Club Las Vegas

O meu sincero agradecimento a todos que organizaram e marcaram presença de forma expressiva, em especial SoFi, Uphold, CCBank, COREBANK, FS Vector, iDENTIFY, American Fintech Council, Kaufman Rossin e SentiLink. As conversas que acontecem durante o jantar, nos intervalos e no campo de golfe são os momentos em que se realizam alguns dos melhores trabalhos na construção de infraestruturas de confiança.

Ao refletir sobre essa semana, uma coisa fica nítida na minha mente: a próxima geração de confiança financeira será cocriada. 

Será necessário que bancos, fintechs, reguladores e construtores de infraestrutura trabalhem lado a lado — com a IA funcionando como o elo de ligação — para criar sistemas onde a confiança seja instantânea, explicável e escalável em bilhões de transações.

Esse é o trabalho que temos pela frente. E depois desta semana, estou mais convencida do que nunca de que o estamos construindo com as pessoas certas.

Brindemos a esse futuro.


Neha Narkhede

CEO e Cofundador