Recentemente, reunimos Phil Goldfeder (CEO do American Fintech Council), Evey Guo (Diretora na FS Vector) e o nosso próprio Saurabh Bajaj (Chief Product Officer) para conversar sobre o que acontece quando você deixa de fazer parceria com um banco e passa a ser um.
Se você é um profissional de conformidade e está avaliando obter uma licença bancária (charter), este resumo foi escrito para você. Ou, se preferir ver a gravação completa, pode assistir quando quiser aqui.
Resumo rápido
Uma fintech que obtém uma licença bancária assume todo o trabalho de conformidade que o seu banco parceiro costumava gerenciar, incluindo o envio de relatórios de atividade suspeita (SAR), relatórios prontos para os examinadores, a cobertura do oficial de BSA e a auditoria independente. Os reguladores esperam provas de que o programa funciona, e não apenas políticas no papel. Por isso, construa-o com base em um único modelo de dados e um único motor de decisão desde o primeiro dia.
O tipo da sua licença determina o seu órgão regulador. Bancos nacionais, bancos estaduais, empresas de empréstimo industrial e bancos fiduciários nacionais sem seguro respondem, cada um, a supervisores diferentes.
O seu plano de negócios deve parecer um manual de operações. Os reguladores querem ver o fluxo detalhado dos produtos passo a passo, e o OCC espera que os candidatos alcancem a rentabilidade até o terceiro ano.
Copiar a estrutura tecnológica do seu banco parceiro costuma resultar em reprovação no primeiro exame. Juntar fornecedores avulsos (os chamados "best-of-breed") gera definições conflitantes sobre o que é uma atividade normal.
Os examinadores querem demonstrações práticas, não pastas de documentos. Esteja pronto para mostrar rastreabilidade, clareza nas decisões, governança e monitoramento em tempo real.
Por que todo mundo está falando de licenças bancárias de repente
Evey foi direta sobre o momento atual: "a janela para obter licenças está escancarada agora". O OCC aprovou mais de 25 licenças desde o final de 2025, e o FDIC vem aprovando licenças para empresas de empréstimo industrial em um ritmo nunca antes visto por ela (incluindo GM, Ford e Stellantis).
Somando isso aos impactos recentes do caso Synapse, as fintechs estão repensando até que ponto querem depender da licença de terceiros.
O que ela ouve de quem usa a licença de outros bancos também é constante: o banco parceiro fica com uma parte da receita, exige relatórios semanais de conformidade e coloca o lançamento do seu produto atrás das próprias prioridades.
O resumo dela sobre a reclamação: "Não consigo controlar meu próprio destino."
O resumo dela sobre a decisão: "É uma questão de controle e viabilidade financeira."
Três perguntas antes de solicitar uma licença bancária
Você tem o capital necessário? Evey descreveu isso como "uma boa quantia de dinheiro que fica retida com o regulador por um período de tempo e que você não pode tocar".
Você consegue assumir o programa de conformidade e falar diretamente com o regulador em vez de passar pelo seu banco parceiro?
Você tem profissionais com experiência bancária ou está pronto para contratá-los?
Escolha uma licença, escolha um regulador
O ponto defendido por Evey é que a licença escolhida define como será o seu trabalho diário com os reguladores, por isso ajuda conhecer as quatro principais opções e quem supervisiona cada uma.
Banco nacional de serviço completo: o OCC supervisiona o banco, e o Fed supervisiona a empresa controladora como uma holding bancária.
Banco estadual: um regulador estadual somado ao FDIC ou ao Fed, com menor flexibilidade de regras federais preemptivas.
Empresa de empréstimo industrial: geralmente licenciada em Utah e segurada pelo FDIC, em que a controladora não se enquadra nas regras de holding bancária. Não pode oferecer contas de depósito à vista para empresas — e é por isso que a Square, por exemplo, ainda usa um banco parceiro para essa parte.
Banco fiduciário nacional sem seguro: supervisionado pelo OCC, focado apenas em atividades fiduciárias. Muito procurado por empresas de folha de pagamento e de ativos digitais.
A observação de Evey sobre os reguladores: "O OCC costuma ser mais estratégico na supervisão... enquanto o FDIC tende a focar mais em documentos. Eles esperam ver muitas políticas e procedimentos logo no início". E a licença que você escolhe "não determina apenas quem regula você, mas define como será, de fato, a rotina de trabalho com esses reguladores".
Deixar de fazer a lição de casa pode fazer você travar no meio do caminho. Evey já viu candidatos, no meio do processo de solicitação, "perceberem que a licença não atende ao que queriam e tentarem mudar de rota, mas aí já é tarde demais".
Seu plano de negócios não é uma apresentação de vendas
O erro mais comum que ela vê é as organizações "escreverem o plano de negócios como se fosse uma apresentação para investidores". Os reguladores preferem ver "o fluxo operacional passo a passo de cada produto, para saber exatamente o que estão aprovando".
Para o OCC, isso também significa apresentar um caminho realista para a lucratividade, já que "eles esperam que qualquer candidato alcance o equilíbrio financeiro até o terceiro ano do período inicial (de novo)". Se você nunca foi regulado, prepare-se para detalhar o programa que irá construir do zero, para que o regulador saiba que "não estamos distribuindo cheques em branco com uma licença".
Mais uma dica prática para a contratação dos executivos do seu banco: procure alguém "que saiba falar tanto a língua das fintechs quanto a linguagem regulatória".
As lacunas que o banco parceiro preenchia
Saurabh comentou sobre como é a vida em um programa de banco parceiro: "O banco parceiro estava, literalmente, cobrindo as lacunas que a fintech nem sabia que existiam". Mas a partir do momento em que você se torna o banco, essa lista de responsabilidades passa a ser sua.
“A infraestrutura para envio de SAR, os relatórios prontos para os examinadores, a cobertura do oficial de BSA, a função de auditoria independente — tudo isso agora é responsabilidade da fintech.” - Saurabh Bajaj
As ferramentas que você herdou podem complicar as coisas. Elas foram ajustadas para a função do parceiro e, como Saurabh destacou, "A supervisão é muito diferente de quando você é o real proprietário do cliente e precisa gerenciar a operação". Faça uma lista, defina um responsável para cada item e trate qualquer linha em branco como o seu primeiro projeto.
Quer saber como é essa supervisão do lado do banco? Veja como o TransPecos Banks lidou com isso.
Examinadores querem provas, não manuais de políticas
Saurabh afirmou que as fintechs que passam com sucesso pelo primeiro exame deixaram de apresentar apenas manuais de políticas.
Elas estão "buscando formas de demonstrar a operação na prática, e não apenas documentar como as coisas deveriam ser".
Os examinadores também estão pedindo demonstrações de rastreabilidade, clareza nas decisões, governança e monitoramento, e "espera-se que a comprovação do funcionamento ocorra em tempo real".
Ele também alertou para as decisões iniciais que deixam marcas: "você pode tomar duas ou três decisões nessa fase de transição que serão praticamente irreversíveis nos próximos dois ou três anos". Pense no modelo de dados, na concentração de fornecedores e na facilidade de auditoria.
Dois caminhos onde as equipes costumam errar
Quando as fintechs criam sua tecnologia de conformidade para se tornarem bancos, Saurabh observa que elas costumam cair em uma de duas armadilhas:
Copiar e colar. Você simplesmente migra a estrutura do seu banco parceiro: o mesmo monitoramento, gerenciamento de casos e fornecedor de KYC. Saurabh explica: "Teoricamente deveria funcionar, mas falha logo no primeiro exame".
A colcha de retalhos. Você tenta corrigir o problema comprando a melhor solução pontual para cada função. Como as fintechs são focadas em desenvolvimento, "elas acham que integrar tudo isso é simples. Não é". O exemplo dele: a sua avaliação de risco no cadastro define o que é um comportamento normal, e o monitoramento de transações em outra ferramenta precisa responder "se a atividade real condiz com a esperada". Com limites diferentes em ferramentas separadas, você acaba com duas definições do que é normal e uma conversa bem difícil com o examinador.
O conselho dele para crescer: "Você não deve contratar um quarto, quinto ou sexto fornecedor a cada nova necessidade que surgir".
O que estruturar desde o dia zero
As bases recomendadas por Saurabh, para que você não precise fazer ajustes improvisados depois:
Um único modelo de dados de risco, para que cada leitura e gravação de dados consulte o mesmo histórico do cliente.
Um único motor de decisão integrado a ele, em vez de cinco ou seis separados.
Operações unificadas, para que os analistas não precisem abrir cinco ferramentas diferentes para tratar um único caso.
Detecção desde o início. Políticas são fáceis de escrever, mas "a detecção ativa desde o primeiro dia é o que realmente protege os clientes reais".
Ferramentas baseadas em IA com supervisão humana para as equipes de conformidade e prevenção a fraudes.
O retorno no momento do exame vem quando o examinador diz "mostre-me o que você sabe sobre o cliente em cada ponto de decisão", e a resposta é uma consulta simples e rápida, e não uma caça ao tesouro por vários sistemas.
Sua lição de casa se estiver avaliando uma licença bancária
Aqui está o que analisar antes de dar entrada no pedido:
Trate GRC (Governança, Riscos e Conformidade) como um pilar essencial. Na visão de Saurabh: "Como construímos o GRC como uma capacidade central, e não como algo improvisado depois?"
Planeje a transição de saída do banco parceiro, incluindo tudo o que estava sob a responsabilidade dele.
Treine para as exigências do exame. Você consegue demonstrar a rastreabilidade na prática hoje ou consegue apenas descrevê-la no papel?
Quer acompanhar a conversa completa? Assista à gravação sob demanda.

Kaitlin Harvey
Gerente Sênior de Marketing de Crescimento, Ciclo de Vida e Conteúdo






